Quando foi a última vez que você descansou... sem sentir culpa?
Parece uma pergunta simples.
Mas nem sempre é.
Vivemos em um tempo que elogia quem está sempre ocupado.
Responder mensagens enquanto almoça.
Levar trabalho para casa.
Dormir pensando na reunião de amanhã.
Descansar, às vezes, parece quase um desperdício.
O Burnout nasce justamente quando o trabalho deixa de ocupar apenas a agenda e passa a ocupar também a mente. Aos poucos surgem o esgotamento físico e emocional, a perda de motivação, a sensação de incompetência, a irritabilidade e a dificuldade de encontrar prazer naquilo que antes fazia sentido.
Embora esteja relacionado ao contexto profissional, o Burnout não se resume ao excesso de tarefas. A maneira como cada pessoa estabelece sua relação com o trabalho também faz parte dessa história.
Sob a perspectiva psicanalítica, vale perguntar: o que estamos tentando sustentar quando nunca conseguimos parar? Em alguns casos, o excesso de dedicação pode estar ligado ao desejo de reconhecimento, ao medo de falhar ou à dificuldade de estabelecer limites.
Mais do que recuperar as energias, a análise convida a compreender o lugar que o trabalho ocupa na própria vida.
Às vezes, o corpo pede descanso muito antes de encontrarmos coragem para dizer "não".