Confesso uma coisa.
Tenho uma certa desconfiança de quem diz que nunca sentiu ansiedade.
Talvez essa pessoa nunca tenha esperado o resultado de um exame médico.
Ou a resposta daquela mensagem que demorou mais do que deveria.
Ou o primeiro encontro.
Ou a entrevista de emprego.
Ou o nascimento de um filho.
Ou aquele telefonema que começou com um preocupante:
"Precisamos conversar."
Se você já viveu alguma dessas situações, parabéns.
Você é humano.
A ansiedade, por si só, não é uma doença.
Ela é uma das formas encontradas pelo nosso organismo para nos preparar diante de situações importantes. Em certa medida, ela nos protege, aumenta nossa atenção e nos ajuda a antecipar desafios.
Sem ansiedade, talvez nem nossos ancestrais tivessem sobrevivido.
O problema começa quando esse alarme decide esquecer que também foi feito para desligar.
Há pessoas que vivem como se estivessem esperando uma catástrofe que nunca chega.
O corpo permanece em estado de alerta.
A mente procura perigos onde eles talvez nem existam.
O descanso deixa de descansar.
Dormir vira um desafio.
Respirar parece insuficiente.
E até sair de casa pode exigir uma coragem enorme.
Na Psicologia existem diferentes maneiras de compreender a ansiedade.
Na Psicanálise, especialmente a partir de Freud, ela não é vista apenas como um problema a ser eliminado.
Ela pode funcionar como um mensageiro.
Um sinal.
Um aviso de que algo importante está acontecendo em nossa vida psíquica.
Nem sempre sabemos exatamente o quê.
Às vezes a ansiedade fala antes de encontrarmos palavras para aquilo que sentimos.